A situação é alarmante na Mooca, Zona Leste de São Paulo, onde um inquérito policial investiga a morte de vários bebês em um hospital particular. O Hospital Salvalus, que faz parte da rede Hapvida, é o foco da investigação, que já envolve pelo menos seis casos de crianças que faleceram após contraírem infecções hospitalares.
As informações divulgadas pela Secretaria da Segurança Pública revelam que os pequenos, com idades entre zero e três anos, teriam desenvolvido sepse e outras complicações após procedimentos cirúrgicos. Eduarda Fragnan Gomes, assistente jurídica que representa algumas das famílias afetadas, revelou que, na verdade, são 19 os casos de crianças que perderam a vida em cirurgias realizadas no hospital nos últimos seis meses. O sentimento entre os familiares é de desespero e indignação.
Os registros de boletins de ocorrência não se limitam apenas à capital paulista, mas também abrangem cidades como Praia Grande e Itaquaquecetuba. “Essas crianças eram submetidas a cirurgias que, teoricamente, apresentavam baixíssimas chances de morte. Infelizmente, acabaram desenvolvendo infecções e faleceram”, lamenta Eduarda, ressaltando que muitas famílias ainda não formalizaram suas queixas.
A Polícia Civil, em nota, informou que está realizando diligências que incluem a coleta de depoimentos de profissionais de saúde e a análise detalhada dos prontuários médicos para esclarecer as causas das fatalidades. Vale lembrar que as mortes ocorreram desde o início do ano, mas foram apenas recentemente comunicadas.
O Hospital Salvalus, por sua vez, se manifestou afirmando que ainda não recebeu qualquer notificação formal sobre os casos investigados e garantiu estar à disposição das autoridades. Na nota, a instituição enfatizou que cada situação clínica deve ser analisada individualmente e não pode ser generalizada sem comprovação técnica. O hospital destacou que atendeu mais de mil crianças neste ano, com equipes especializadas e cuidados individualizados.
Na próxima semana, mais famílias devem comparecer ao 8º DP do Brás para registrar novos boletins de ocorrência. O clima na comunidade é de grande expectativa e preocupação em relação à segurança das crianças atendidas no hospital, que é visto como referência em maternidade de alto risco e assistência pediátrica na região.



