Na noite de sexta-feira (6), o Brás, um dos mais movimentados bairros do Centro de São Paulo, viveu momentos de pavor com o desabamento de um prédio de quatro andares. O incidente, que ocorreu na área do mezanino, deixou 35 trabalhadores em estado de alerta, muitos deles em meio à rotina de descarregamento de tecidos.
A Capitã Karoline Burunsizian, porta-voz do Corpo de Bombeiros, revelou que o prédio não possuía o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), documento essencial que atesta a conformidade das edificações com as normas de segurança contra incêndios. Das 35 pessoas presentes, 27 foram resgatadas pelas equipes de emergência, enquanto as demais conseguiram sair antes da chegada dos socorristas. Quatro feridos foram levados à UPA da Mooca, e, felizmente, suas condições são consideradas estáveis, embora apresentem escoriações.
A situação de busca por possíveis vítimas sob os escombros foi intensificada com o uso de cães farejadores, mas até o momento, não há confirmação de desaparecidos. A Capitã Burunsizian destacou que, apesar da instabilidade do terreno, a continuidade dos trabalhos de resgate tinha como prioridade a segurança dos envolvidos. “A ausência de vítimas fatais até agora é uma grata surpresa, e continuaremos as buscas até que tenhamos certeza de que não há mais ninguém sob os escombros,” afirmou.
As causas do desabamento ainda estão sob investigação. A Capitã mencionou que a perícia irá averiguar as condições estruturais e se o peso excessivo dos tecidos pode ter contribuído para o colapso. Enquanto isso, um engenheiro está analisando os prédios vizinhos para avaliar possíveis riscos de desabamento.
Relatos de quem estava no local revelam o clima de tensão e desespero. Vando de Jesus Bispo, um dos trabalhadores, descreveu a cena como “apavorante”, ressaltando que, por um triz, ele e seus colegas conseguiram escapar. Outros, como Felipe, que estava no último andar, se mostraram astutos ao encontrar uma saída em meio ao caos. “Se eu não tivesse empurrado o que estava na minha frente, não teria conseguido sair,” contou.
Enquanto o Brás se recupera desse triste episódio, histórias de coragem e união emergem. Moradores e trabalhadores da região também relataram o momento do desabamento, e muitos se reuniram para ajudar no que podiam. O acidente trágico não apenas abalou a estrutura do prédio, mas também deixou marcas na comunidade, que agora aguarda por respostas e segurança nas edificações ao redor.



