sexta-feira, 16/10/2026

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Influencer de São Paulo faz BO por ameaças após se manifestar sobre seu voto nas redes sociais

Recentemente, o influenciador digital Mateus Fernandes, de 26 anos, que mora em Guarulhos, se tornou alvo de ameaças de morte após declarar seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT). A situação alarmante levou…

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Recentemente, o influenciador digital Mateus Fernandes, de 26 anos, que mora em Guarulhos, se tornou alvo de ameaças de morte após declarar seu apoio à reeleição do presidente Lula (PT). A situação alarmante levou Fernandes a registrar um boletim de ocorrência em São Paulo, após receber ataques nas redes sociais. Segundo ele, as ameaças começaram logo depois do primeiro turno das eleições, quando passou a se manifestar sobre política e direitos sociais em suas plataformas.

Mateus, que é formado em Jornalismo e fundador do InfoPerifa — uma iniciativa que visa combater a desinformação climática e promover a justiça ambiental nas periferias —, mobilizou uma rede de aproximadamente 500 influenciadores para uma campanha de “vira-voto” a favor do candidato petista. Com esse movimento, seu conteúdo nas redes sociais viu um salto de acessos, alcançando mais de 9 milhões. No entanto, esse crescimento trouxe consequências inesperadas.

O jovem relatou que desde o dia 7, data em que a rede foi formada, começou a receber ataques coordenados por perfis anônimos, que se utilizavam de imagens da bandeira do Brasil ou de Jesus para ocultar suas identidades. As mensagens incluíam não apenas calúnias, mas ameaças explícitas de morte e tortura, além da divulgação de seu endereço residencial, o que gerou um clima de insegurança e medo real para ele e seus familiares.

“Estou em estado de alerta, sem conseguir voltar para casa. Tenho buscado abrigo na casa de amigos e evitado contato com a família, temendo por sua segurança. Essas ameaças me causaram crises de ansiedade e outros problemas de saúde”, desabafou Mateus, que se sente encurralado pela situação.

Além das ameaças diretas, algumas mensagens continham referências a grupos racistas, como a Ku Klux Klan, o que intensificou a preocupação do influenciador. Com o apoio de advogados, ele decidiu levar o caso à Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e à Divisão de Crimes Cibernéticos (DCCiber), onde apresentou provas das ofensas recebidas.

Os advogados de Mateus também acionaram o Ministério Público de São Paulo, pedindo uma investigação sobre o que classificaram como uma “operação orquestrada de ataques cibernéticos em massa”. Eles destacaram que os ataques não apenas configuram ameaças à vida do influenciador, mas também expressam um discurso de ódio que precisa ser combatido.

Fernandes acredita que sua visibilidade e a quebra de barreiras entre as narrativas de esquerda e direita o tornaram um alvo. “Eu sempre conversei com jovens da periferia sobre pertencimento e aceitação. Por ser negro e da religião afro, alguns acham que têm o direito de ameaçar minha vida por eu discordar deles”, afirmou.

Outro influenciador que enfrentou ataques semelhantes é o modelo Vitor Maccla, criador do Instituto Irmãos de Pele, que também viu sua vida ser afetada após declarar seu voto nas redes sociais. Ele relatou ter recebido mensagens violentas e tentativas de desqualificação de seu trabalho relacionado ao vitiligo, ressaltando que a divergência de opiniões não deve justificar agressões.

A situação de Mateus Fernandes e Vitor Maccla evidencia um fenômeno preocupante nas redes sociais, onde a intolerância e a violência virtual se tornaram cada vez mais comuns, especialmente entre figuras públicas que se posicionam politicamente. É um chamado à reflexão sobre como lidamos com as diferenças em um ambiente digital que, muitas vezes, parece propício ao ódio.