Uma investigação que envolve o ex-vereador Milton Leite, de São Paulo, está levantando suspeitas alarmantes sobre a infiltração do PCC no transporte público da capital. A operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ocorreu na Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, onde Leite está detido desde setembro.
As investigações foram desencadeadas por uma denúncia anônima, que sugeria que o ex-presidente da Câmara Municipal estava desfrutando de regalias na prisão, como visitas de amigos e políticos fora dos horários permitidos. O suposto esquema contaria com o auxílio de um carcereiro, o que levantou ainda mais suspeitas sobre a segurança e a integridade do sistema penitenciário.
A operação visa não apenas apurar as condições de detenção, mas também reunir evidências, como celulares e gravações de câmeras, que possam esclarecer as relações de Leite com o PCC. Além disso, outras celas e a residência do carcereiro envolvido na denúncia também serão alvo de buscas.
A Justiça prorrogou a prisão temporária de Leite e dos demais investigados na Operação Vectura Corrupta, que está sendo conduzida com rigor pela Polícia Civil. O ex-vereador é acusado de ter influência em empresas que, segundo a investigação, operam sob o controle do PCC. Entre os outros nomes investigados estão ex-altos funcionários da SPTrans e políticos locais.
O clima de tensão também se intensificou após um furto registrado em um dos escritórios de Milton Leite, onde criminosos levaram um HD que continha informações sensíveis, mas deixaram uma quantia significativa em dinheiro para trás. A polícia está em busca de respostas sobre a relação desse crime com as investigações em curso.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que a Polícia Civil está atenta aos desdobramentos do furto e que todas as medidas estão sendo tomadas para identificar os responsáveis. A operação, que já resultou em diversas prisões e apreensões, é vista como um passo importante no combate à corrupção e ao crime organizado que afeta diretamente o transporte público da cidade.
Milton Leite, por sua vez, defende sua inocência e acredita na justiça, afirmando que terá a oportunidade de provar sua não participação nas atividades ilícitas sob investigação. Sua família também se manifestou, considerando a situação injusta e esperando que a verdade prevaleça.



