A Prefeitura de São Paulo acaba de implementar um novo Protocolo Municipal de Assistência à Saúde em Corridas de Rua, que visa garantir a segurança dos participantes em eventos esportivos na capital. A medida, publicada no Diário Oficial na última terça-feira (13), surge em resposta à morte trágica do publicitário e corredor amador Júlio Barreto, que sofreu uma parada cardíaca após completar a SP City Marathon em julho.
O protocolo, que entrará em vigor no dia 12 de dezembro, estabelece critérios rigorosos para o atendimento médico durante as corridas, incluindo prazos para o primeiro atendimento e a distribuição de desfibriladores ao longo do percurso. A iniciativa busca evitar que situações como a de Barreto se repitam, já que a demora na assistência foi amplamente criticada por outros atletas que estavam presentes na prova.
De acordo com o novo documento, a assistência médica deve ser planejada levando em consideração diversos fatores, como o número de inscritos, as condições climáticas e o histórico de eventos anteriores. Uma das inovações mais significativas é a criação de uma classificação de risco que determina a estrutura mínima necessária de atendimento para cada corrida, variando de baixo a risco especial, conforme a complexidade do evento.
Além disso, o protocolo estabelece que o tempo máximo para o primeiro atendimento deve variar de acordo com o nível de risco: até 8 minutos para eventos de baixo risco, e até 3 minutos para aqueles classificados como de risco especial. Também é exigido que não haja trechos do percurso sem cobertura assistencial, com distâncias máximas entre os recursos médicos bem definidas.
Outro ponto importante é a necessidade de disponibilizar desfibriladores e uma equipe médica adequada ao longo do percurso, em vez de concentrá-los apenas na largada ou chegada. Isso visa aumentar a eficácia do atendimento, garantindo que os corredores tenham acesso rápido a cuidados em caso de emergência.
Para eventos que enfrentem temperaturas extremas, o protocolo apresenta uma série de diretrizes para monitoramento e gestão da hidratação, além de determinar ações específicas caso a temperatura suba de forma crítica.
A Secretaria Municipal da Saúde será a responsável pela fiscalização do novo protocolo, podendo auditar eventos e exigir ajustes na estrutura de atendimento quando necessário. A criação de “eventos sentinela” permitirá uma análise mais rigorosa de ocorrências como mortes ou falhas operacionais, garantindo que as lições aprendidas sejam incorporadas na organização de futuras provas.
Com essa nova abordagem, espera-se que a segurança dos corredores em São Paulo seja significativamente aprimorada, proporcionando um ambiente mais seguro e saudável para todos os participantes das corridas de rua na cidade.
Crédito da imagem: Imagem feita durante a corrida de São Silvestre


