A recente investigação sobre o vazamento de dados do sistema Smart Sampa, utilizado para monitoramento por câmeras e reconhecimento facial em São Paulo, tem gerado repercussão entre os moradores da capital. A Prefeitura, sob a administração de Ricardo Nunes (MDB), confirmou que informações sensíveis ficaram expostas por quase um ano na internet, mas atribui o incidente a um servidor afastado e não a uma falha do sistema em si.
De acordo com uma reportagem do UOL, foram mais de 58 mil câmeras expostas, abrangendo áreas como ruas, escolas, creches e hospitais. A gestão municipal se defendeu afirmando que o agente responsável pelo vazamento já foi identificado e afastado, e que a Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana está conduzindo as investigações pertinentes.
A Prefeitura também anunciou que tomou medidas para reforçar a segurança do Smart Sampa, implementando novas senhas, autenticação em dois fatores e códigos de verificação via SMS para a criação de novas senhas. Além disso, garantiu que o repositório de dados ilegalmente acessado foi retirado do ar.
O Smart Sampa, que consome cerca de R$ 10 milhões por mês, foi lançado em 2024 e é uma das principais iniciativas do governo municipal para a segurança pública. O sistema utiliza inteligência artificial para monitorar e comparar imagens com bancos de dados de procurados e veículos com restrições. Apesar de seus objetivos, a eficácia do programa tem sido questionada, especialmente em áreas como Pinheiros, onde a criminalidade de furtos e roubos continua alta.
Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) revelou que a implementação do Smart Sampa não resultou em uma redução significativa nos índices de criminalidade. Além disso, foram relatados erros de identificação que geraram situações preocupantes, como prisões indevidas. A Prefeitura contestou as conclusões do estudo, alegando que as comparações feitas não foram apropriadas.
O Smart Sampa também inspirou a proposta de Flávio Bolsonaro (PL) para um sistema nacional de monitoramento, a ser chamado de Smart Brasil, que visa expandir um modelo semelhante em todo o país. Com tantas questões em jogo, a população paulistana fica em alerta quanto à gestão de dados e à real eficácia das tecnologias de segurança implantadas na cidade.
Crédito da imagem: Central de monitoramento do Smart Sampa



