Em meio a um cenário de segurança pública cada vez mais debatido, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), se posicionou nesta terça-feira (20) em defesa do sistema de câmeras de vigilância Smart Sampa. A declaração veio após uma reportagem do UOL expor um vazamento de dados que deixou informações sigilosas acessíveis na internet por quase um ano. Com mais de 58 mil câmeras conectadas à plataforma, o acesso não autorizado levantou alarmes sobre a eficácia do sistema.
Nunes garantiu que não houve uma invasão cibernética, mas sim um acesso indevido facilitado por um funcionário concursado que, segundo ele, atuava na área responsável pelas senhas. O servidor, que entrou para a prefeitura em 2023, foi demitido após o escândalo se tornar público. “Estávamos monitorando a situação, utilizando uma estratégia de isca para identificar acessos irregulares”, explicou o prefeito em uma coletiva na região central da cidade.
O Smart Sampa, que exige um investimento mensal de R$ 10 milhões, foi lançado em 2024 como um dos pilares da gestão Nunes para melhorar a segurança na capital. O sistema utiliza inteligência artificial para ajudar na captura de fugitivos e na identificação de veículos com restrições. Apesar das promessas, a eficácia do programa tem sido questionada. Um estudo do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) analisou dados entre março de 2024 e abril de 2025 e concluiu que não houve redução significativa nos índices de criminalidade, além de erros de identificação pelo sistema de reconhecimento facial.
A prefeitura, por sua vez, contestou as conclusões do estudo e ressaltou que o Smart Sampa já auxiliou na captura de milhares de foragidos. Entretanto, moradores da Zona Oeste, especialmente em Pinheiros, relatam que a presença das câmeras não tem inibido os furtos de celulares, gerando críticas à efetividade real do sistema. O debate sobre segurança em São Paulo continua, com a população atenta ao desenrolar dessa situação.



