A detenção de Malévola Alves e Bruna Mercatelli no Egito trouxe à tona um debate sobre os costumes e a cultura local. As duas brasileiras foram presas na província de Alexandria, acusadas pelo governo egípcio de gravar vídeos com “comportamento obsceno”. O caso ganhou notoriedade nas redes sociais e na imprensa egípcia, que não hesitou em destacar a identidade de gênero de Malévola, um aspecto que suscitou reações controversas.
Os vídeos que desencadearam a prisão mostravam Malévola e Bruna em situações que foram interpretadas como provocativas, envolvendo interações com homens na rua e dentro de um carro. A repercussão foi imediata, e a mídia do país se dividiu entre reportagens que abordavam o caso de forma respeitosa e outras que adotaram um tom transfóbico, mencionando Malévola como “um homem”.
O Ministério do Interior egípcio anunciou a investigação e caracterizou as filmagens como “movimentos obscenos e provocativos”. Já a defesa de Malévola afirmou que estava em contato com a Embaixada do Brasil e esperava pela libertação da influenciadora. Contudo, até o fechamento desta reportagem, não havia confirmação oficial sobre sua liberação.
Enquanto isso, os egípcios se manifestaram nas redes sociais, pedindo respeito aos costumes locais e à privacidade da população. A legislação do Egito, embora não condene explicitamente a homo ou a transexualidade, tem sido utilizada para reprimir a comunidade LGBTQIA+, frequentemente invocando leis sobre moralidade pública.
Malévola já havia compartilhado nas redes sociais que, antes da prisão, ela e Bruna foram abordadas por policiais durante um passeio, que questionaram sua identidade de gênero e retiveram seus passaportes. O caso levanta questões sobre a liberdade de expressão e os limites da cultura em um país onde a repressão à diversidade sexual é um tema sensível.
Crédito da imagem: A influencer Malévola Alves

