Uma nova fase se inicia para o Jockey Club de São Paulo, que acaba de formalizar um acordo com a prefeitura da cidade para quitar uma dívida tributária que inicialmente somava R$ 871 milhões. Com a negociação, o valor a ser pago cai para R$ 228 milhões, permitindo um desconto considerável de R$ 643 milhões. Em contrapartida, o clube se compromete a construir um parque municipal de 85 mil m² na Cidade Jardim, com um investimento de R$ 100 milhões, que deverá ser entregue até 1º de outubro de 2028.
A assinatura do termo de cooperação aconteceu na última quinta-feira (29) e contou com a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e representantes do Jockey. A nova área de lazer será implantada na pista do hipódromo e promete incluir quadras esportivas, lagos, um bosque sensorial, um circuito de caminhada, além de espaços voltados para crianças e pets.
Essa negociação financeira, que envolve o banco BTG Pactual, faz parte de um plano de recuperação abrangente do clube, que também contempla a quitação de outras dívidas e a restauração de bens tombados. A proposta foi aprovada por unanimidade em assembleia realizada no dia 13 de outubro na Câmara Municipal.
O acordo foi possível graças às condições do Programa de Transação Tributária da prefeitura, que permite renegociar débitos com o poder público. Durante uma CPI que investiga a situação financeira do Jockey, representantes do clube informaram que a nova gestão, que assumiu neste ano, encontrou um passivo total de R$ 1,3 bilhão, que inclui diversas dívidas.
O montante de R$ 228 milhões refere-se apenas ao valor negociado com a prefeitura, e não abrange todas as obrigações financeiras da instituição. O conselheiro do clube, Renato Junqueira Filho, destacou que a ideia é vender títulos do Jockey para gerar recursos que ajudem a cumprir essas obrigações financeiras.
No entanto, o acordo gerou controvérsia. O vereador Roberto Tripoli (PV) expressou suas preocupações durante a CPI, questionando a capacidade do Jockey de gerar receita suficiente para sustentar sua recuperação financeira. “Estamos perdendo mais de R$ 400 milhões. A história começa mal”, argumentou o vereador, evidenciando a desconfiança em relação à viabilidade do plano.
Por outro lado, o presidente do Jockey, Vicente Renato Paolillo, defendeu o acordo, argumentando que parte das dívidas ainda está sendo discutida judicialmente e que a instituição não reconhece todos os valores cobrados. Já o vereador Gilberto Nascimento (PL) avaliou o plano como positivo, acreditando que a medida pode possibilitar a quitação dos débitos e a continuidade das atividades do clube.
A CPI do Jockey Club, instalada em novembro de 2025, busca investigar a gestão das finanças da instituição e o uso de recursos públicos para o restauro de seu patrimônio histórico. O acordo, agora formalizado, se insere neste contexto de fiscalização e busca por transparência nas contas do clube.



