segunda-feira, 02/11/2026

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Fernando Sastre reconhece ter consumido bebida antes de dirigir Porsche e vê pena reduzida em 1 ano e meio

A semana passada foi marcada por um julgamento de grande repercussão no Fórum Criminal da Barra Funda, onde o empresário Fernando Sastre Filho foi condenado a 17 anos e 1 mês de prisão pela…

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A semana passada foi marcada por um julgamento de grande repercussão no Fórum Criminal da Barra Funda, onde o empresário Fernando Sastre Filho foi condenado a 17 anos e 1 mês de prisão pela morte do motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, ocorrida em um acidente de trânsito em março de 2024. A condenação, que poderia ter ultrapassado 18 anos, foi reduzida em cerca de um ano e meio após Sastre confessar que havia consumido álcool antes de dirigir seu Porsche.

O trágico acidente aconteceu na madrugada do dia 31 de março na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé. Ornaldo, de 52 anos, estava ao volante de um Renault Sandero quando foi atingido pelo carro de Sastre, que estava em alta velocidade, de acordo com laudos periciais que indicaram que o Porsche estava a 156 km/h antes do impacto. Sastre, que até então insistia que não havia ingerido bebida alcoólica, mudou sua versão durante o interrogatório, admitindo que tomou dois drinks antes de dirigir.

Em seu depoimento, Sastre se mostrou emocionado e pediu desculpas à família de Ornaldo, ressaltando o sofrimento que a tragédia causou. Ele declarou: “Eu me arrependo profundamente de não ter contado a verdade desde o início.” Apesar de sua confissão, a juíza Melanie Liesenberg determinou que a atenuante da confissão seria apenas parcial, já que Sastre continuou negando a intenção de causar a morte do motorista.

A mudança de posição de Sastre durante o julgamento também levantou questões sobre a credibilidade do empresário. Durante toda a investigação, ele mantinha que não havia consumido álcool, uma afirmação que foi desmentida por testemunhas e pela própria gravação de um vídeo pouco antes do acidente, onde ele apresentava sinais de embriaguez. O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos com a expulsão da namorada de Sastre do plenário, após ela fazer comentários inadequados durante os depoimentos, o que levou à aplicação de uma multa e a possibilidade de investigação por falso testemunho.

Após a sentença, os promotores Rodolfo Morais e Lucas Schaefer anunciaram que pretendem recorrer para aumentar a pena, considerando-a insuficiente diante da gravidade do caso. Sastre, que está preso desde maio de 2024, pode cumprir sua pena até 2041, quando terá 41 anos.

A defesa de Sastre, por sua vez, manifestou a intenção de recorrer da condenação, argumentando que a decisão do júri não corresponde às provas apresentadas. O advogado do empresário, Jonas Marzagão, destacou que a defesa acredita na possibilidade de desclassificação do crime para homicídio culposo, o que poderia reduzir significativamente a pena. Enquanto isso, a dor da família de Ornaldo continua, marcando a cidade com a lembrança de uma tragédia que poderia ter sido evitada.