domingo, 01/11/2026

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Piso paulista: um ícone de 60 anos na cidade de SP enfrenta ameaça de extinção

O piso paulista, um dos ícones das calçadas de São Paulo, está enfrentando um futuro incerto, mesmo após completar 60 anos de história em abril. Criado pela artista Mirthes Bernardes, que faleceu em 2020,…

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O piso paulista, um dos ícones das calçadas de São Paulo, está enfrentando um futuro incerto, mesmo após completar 60 anos de história em abril. Criado pela artista Mirthes Bernardes, que faleceu em 2020, o desenho que representa o contorno do estado de São Paulo se tornou parte da identidade visual da capital, mas não possui proteção legal que garanta sua preservação.

Durante a gestão do prefeito Brigadeiro José Vicente Faria Lima, entre 1965 e 1969, o piso foi idealizado como uma maneira de dar à cidade uma identidade visual única, semelhante ao calçadão de Copacabana no Rio de Janeiro. No entanto, enquanto o calçamento carioca recebeu proteção patrimonial, o piso paulista permanece vulnerável à substituição por materiais mais baratos, como o concreto.

O mestre em Design Pablo Figueiredo explica que, ao longo das décadas, o piso passou por transformações significativas. Originalmente feito com pedras portuguesas, foi substituído em muitos locais pelo ladrilho hidráulico, considerado uma opção mais econômica e prática. Entretanto, essa mudança também trouxe à tona problemas de acessibilidade e manutenção, com calçadas muitas vezes danificadas ou mal conservadas, dificultando o trânsito de pedestres, especialmente aqueles com mobilidade reduzida.

Atualmente, a manutenção das calçadas é responsabilidade dos proprietários dos imóveis, o que gera um cenário onde o concreto se torna a escolha mais viável por conta de seu baixo custo. Figueiredo alerta que o risco de extinção do piso paulista é real, com a versão original quase desaparecendo das ruas. A falta de um programa de preservação por parte da Prefeitura de São Paulo agrava ainda mais a situação. A Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa confirmou que o piso não é tombado como patrimônio cultural, o que torna sua continuidade dependente da vontade dos proprietários e da ação do poder público.

Assim, a cidade de São Paulo se vê diante de um dilema: a perda gradual de um elemento que não apenas representa a sua história, mas também contribui para a formação da identidade local. Se nada for feito, o famoso piso paulista pode acabar se tornando apenas uma lembrança do que já foi.

Crédito da imagem: Piso paulista vai desaparecer?