A Operação IFRIT, deflagrada nesta quarta-feira (4), em Mato Grosso do Sul e mais seis estados, revelou um esquema de tráfico de drogas e armas que operava com a sofisticação de uma verdadeira empresa criminosa. Liderada por três irmãos e outros membros da família, a organização utilizava a fronteira do estado como porta de entrada para produtos ilícitos adquiridos na Bolívia, Paraguai e Peru, que eram então distribuídos em diversas regiões do Brasil e até enviados para a Europa.
De acordo com as investigações da Polícia Federal e da Receita Federal, a complexa estrutura do grupo incluía divisão de funções, com integrantes dedicados a finanças, transporte e segurança armada. Essa organização não apenas abastecia o mercado interno, mas também tinha como objetivo o envio de entorpecentes para países europeus, como Espanha e Portugal.
Para garantir a segurança das operações, a quadrilha contava com armamentos pesados, veículos blindados e até drones, além de estratégias de contrainteligência que dificultavam a ação das autoridades. A investigação também levantou suspeitas de que alguns policiais estariam colaborando com o grupo, fornecendo informações estratégicas para auxiliar nas atividades criminosas.
Um dos focos da operação é o delegado da Polícia Civil, Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que já havia sido preso em outra investigação do Gaeco, onde era acusado de desviar drogas apreendidas. A ação desta quarta-feira incluiu mandados de busca em sua residência, conforme informou seu advogado, que ainda não havia conseguido contato com o delegado.
Além dele, outros policiais civis também foram alvos das buscas. A movimentação financeira da organização criminosa é impressionante: em cerca de dois anos, mais de R$ 500 milhões foram movimentados, com o dinheiro sendo disfarçado por meio de empresas de fachada e contas de terceiros, dificultando o rastreamento por parte das autoridades.
A operação, que mobilizou 450 policiais federais, 22 auditores-fiscais e sete analistas tributários da Receita Federal, demonstra a determinação das forças de segurança em combater o crime organizado no estado. As investigações indicam que o grupo atuava de forma robusta e estruturada desde 2018, revelando a gravidade do problema do tráfico na região. A sociedade aguarda ansiosamente por desdobramentos e ações que possam efetivamente combater essa realidade.


