Neste domingo (25), durante o segundo turno das eleições, o clima ficou tenso em várias capitais, especialmente em cidades nordestinas como Salvador e São Luís. O coordenador da campanha de reeleição de Lula, senador Camilo Santana, denunciou um “boicote claro” ao transporte público, que segundo ele, prejudicou a mobilidade dos eleitores. “O povo tem o direito de escolher, e isso não pode ser cerceado”, afirmou Santana, ao criticar a falta de ônibus disponível para o deslocamento dos eleitores.
A avaliação de Santana é de que a resposta tardia do Supremo Tribunal Federal (STF) para prorrogar o horário de votação não foi suficiente para corrigir os problemas de transporte. Ele destacou que a decisão chegou após o fechamento de muitas seções, o que resultou em um descontentamento geral, especialmente em uma democracia que deveria garantir o acesso ao voto.
Em um tom ainda mais contundente, o presidente do PT, Edinho Silva, classificou a falta de ônibus em cidades como São Paulo e Salvador como uma tentativa grave de interferência no processo eleitoral. “Isso é um crime”, enfatizou Edinho, ao criticar os prefeitos das duas capitais, que segundo ele, ignoraram a legislação eleitoral ao não disponibilizar a quantidade necessária de transporte. “Quem precisa de transporte público é o nosso eleitorado”, disse, reforçando que isso fere a lisura do pleito.
O ministro Cristiano Zanin, do STF, foi acionado para prorrogar o horário de votação em resposta a esses problemas, mas a situação nos terminais de ônibus da capital paulista era alarmante. Moradores relataram esperar até três horas por um transporte, enquanto muitos motoristas se recusavam a operar. “É uma situação inaceitável em um dia tão importante”, desabafou um eleitor que decidiu oferecer caronas a quem precisava se deslocar para votar.
Com a presença de filas enormes e ônibus parados em diversos terminais, muitos cidadãos se sentiram desamparados. A falta de informação sobre a circulação dos coletivos deixou a população apreensiva, e a chuva só agravou a situação. “Foi triste ver pessoas na chuva, sem saber se conseguiriam votar”, comentou um morador que tentou ajudar, mas percebeu a hesitação das pessoas em aceitar caronas.
Essa jornada eleitoral, marcada por desafios no transporte, levanta questões sobre a integridade do processo democrático no Brasil. À medida que as apurações dos votos avançam, a expectativa é que a situação sirva de lição para que, no futuro, a acessibilidade ao voto seja garantida a todos, sem exceção.


