As eleições de 2026 trouxeram um cenário interessante na capital paulista, onde os eleitores demonstraram um comportamento curioso ao escolherem candidatos de partidos diferentes. O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) conquistaram a confiança dos paulistanos, mas em contextos distintos, mostrando que a política na cidade pode ser mais complexa do que parece.
No segundo turno da eleição presidencial, Lula se destacou ao obter 55,5% dos votos válidos em São Paulo, enquanto Tarcísio já havia garantido sua vitória no primeiro turno para o governo do estado, com 52,76% dos votos na capital. Essa combinação de resultados fez com que, em 24 das 57 zonas eleitorais da cidade, houvesse o que se chama de “voto casado”, onde eleitores optaram por Lula para presidente e Tarcísio para governador. Entre os bairros que apresentaram esse fenômeno estão Perdizes, Vila Mariana e Morumbi.
O segundo turno trouxe uma virada significativa para Lula, que ampliou sua vitória de 39 para 72 cidades no estado. Na capital, ele venceu em 43 zonas eleitorais, um aumento considerável em relação ao primeiro turno. Por outro lado, Flávio Bolsonaro viu sua presença diminuir, passando de 22 para apenas 14 zonas. Esse movimento reflete a mudança na preferência do eleitorado, que, ao que tudo indica, estava disposto a experimentar novas opções, mesmo dentro de uma mesma eleição.
Embora os dados mostrem a soma dos votos por zona, é importante frisar que isso não revela a combinação exata de escolhas de cada eleitor. Portanto, não é possível afirmar com certeza que os mesmos votantes de Lula na presidência também escolheram Tarcísio para governador. Contudo, o fenômeno do voto casado sugere uma possível aproximação entre os perfis eleitorais desses dois candidatos na capital.
Em números, Lula obteve 3.864.354 votos no segundo turno, um acréscimo de 812.005 votos em relação ao primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro, que não se mostrou capaz de reverter a situação, aumentou seu total para 3.097.923 votos, mas ficou com apenas 44,5% do total na capital. Assim, o mapa eleitoral de São Paulo se redesenhou, revelando um eleitorado dinâmico e em constante transformação.


