Uma tecnologia inovadora está sendo utilizada para preservar um dos mais importantes marcos da história do Brasil: o Museu do Ipiranga, em São Paulo. Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade de Ferrara, na Itália, trouxeram um método de escaneamento 3D a laser, que já foi aplicado no famoso Coliseu romano, para monitorar a integridade estrutural do museu após sua longa reforma.
O projeto, que durou três semanas, envolveu a digitalização meticulosa de cada milímetro do edifício, permitindo que as condições da estrutura fossem avaliadas antes e depois das obras. Os pesquisadores utilizaram um equipamento compacto que emite raios laser, capturando dados precisos sobre as superfícies, desníveis e até sinais de umidade e mofo. Essa técnica transforma o museu em um modelo digital, uma representação tridimensional que pode ser constantemente atualizada para auxiliar na preservação do patrimônio.
De acordo com o professor Marcello Balzani, da Universidade de Ferrara, o processo de escaneamento é comparável a um exame médico detalhado. Ele destaca a importância de entender como os edifícios se comportam ao longo do tempo, assim como o corpo humano. “A estrutura são os ossos, os caminhos são os músculos, e o ar são os pulmões”, explica Balzani. Essa analogia reforça o compromisso com a saúde do patrimônio histórico, que necessita de cuidados constantes.
Com a criação do “gêmeo digital” do museu, os pesquisadores podem registrar não apenas as manutenções realizadas, mas também identificar possíveis problemas antes que eles se tornem maiores. Beatriz Kühl, professora da FAU-USP e coordenadora do projeto, afirma que essa abordagem proativa pode evitar intervenções drásticas e dispendiosas no futuro. Além disso, o modelo digital permite a simulação de cenários climáticos extremos, fornecendo dados valiosos sobre como o museu pode reagir a essas mudanças.
O Museu do Ipiranga, que abriga um acervo de mais de 450 mil itens, é um símbolo da Independência do Brasil, tendo sido inaugurado em 1895. Entre seus tesouros, destaca-se a famosa pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo. Com a combinação de tecnologia de ponta e conhecimento humano, pesquisadores estão garantindo que esse importante patrimônio continue a ser uma referência para futuras gerações.


