A segurança pública tem sido um tema recorrente em Minas Gerais e em todo o Brasil, especialmente com a recente divulgação de um estudo do Instituto Sou da Paz. O levantamento revela uma preocupante conexão entre colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) e organizações criminosas. Entre 2016 e 2026, foram registrados 92 casos de envolvimento desses indivíduos em atividades ilícitas.
Os dados, acessados pelo g1, mostram que muitos desses CACs estão ligados a facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), obtendo armas legalmente para depois abastecer o crime organizado. Bruno Langeani, consultor do instituto, explica que existem padrões claros: indivíduos com registros de CACs que se tornam alvos de recrutamento por organizações criminosas e outros que usam documentação falsa para obter esses registros.
São Paulo se destaca como o estado com o maior número de registros (18), seguido por Espírito Santo (11) e Rio de Janeiro (10). No interior paulista, um dos casos mais alarmantes envolve Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como Léo Bode, que é apontado como líder do Comando Vermelho e possui registros de armas obtidos de forma legal.
As investigações também se estendem para outras regiões do Brasil. Em Minas Gerais, a Operação Ludibrio de 2022 buscou prender um empresário supostamente ligado ao PCC que utilizava documentos falsos para adquirir armas. Já na Paraíba, a Operação Fake Shooter resultou na prisão de membros da facção Okaida, que simulavam ser CACs para comprar armamento.
Embora o levantamento concentre-se em casos já tornados públicos, Langeani alerta que o número real de ocorrências pode ser ainda maior. Ele destaca a expansão geográfica do problema, que abrange 21 estados, e a diversificação dos grupos envolvidos, incluindo milícias e quadrilhas especializadas em roubos.
Com as recentes mudanças nas legislações federais, o cenário se torna ainda mais complexo. O governo Lula reviu algumas das normas estabelecidas durante a presidência de Jair Bolsonaro, ajustando limites de aquisição e reforçando o controle sobre os CACs. A fiscalização, que anteriormente era responsabilidade do Exército, agora está sob a alçada da Polícia Federal, mas a efetividade dessa transição ainda é questionável.
O estudo do Sou da Paz é um alerta importante para toda a sociedade. Com o aumento da criminalidade organizada e a utilização de armas que deveriam ser controladas, é fundamental que haja uma discussão ampla sobre segurança pública e a regulamentação do uso de armamentos no país.
Crédito da imagem: Alvo usado por CACs em estande de tiro em São Paulo


