Após cinco meses de luto e incertezas, a comunidade Nossa Senhora das Virtudes II, localizada no Jaguaré, Zona Oeste de São Paulo, começa a ver a luz no fim do túnel. Na última segunda-feira (26), o governo paulista deu início à demolição de 61 moradias que foram severamente afetadas pela explosão de uma tubulação de gás, ocorrida em 11 de maio e que resultou na trágica morte de duas pessoas.
Esta ação faz parte de um acordo entre a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e a Sabesp, que destinará R$ 5,4 milhões para a demolição e reconstrução dos imóveis danificados. A primeira fase das obras, que abrange uma área de 5,3 mil metros quadrados, será realizada manualmente, visando minimizar os danos à região ao redor. A expectativa é que essa etapa esteja completa até janeiro de 2027.
As casas que estão sendo demolidas pertenciam a famílias que já foram assistidas pela Sabesp. Na sequência, a CDHU planeja reconstruir cinco novas moradias e reformar cerca de 200 unidades, com início previsto para o final de 2026. As melhorias não se limitarão apenas às estruturas, mas também incluirão a modernização de instalações elétricas e hidráulicas, além de garantir maior ventilação e segurança.
Além das moradias, o governo anunciou a criação de um novo espaço público para lazer e convivência na comunidade, que ainda está em fase de planejamento. Essa iniciativa promete trazer mais qualidade de vida aos moradores, que tanto anseiam por um recomeço após a tragédia.
A explosão, que ocorreu por volta das 16h10, foi provocada por uma obra da Sabesp que atingiu uma tubulação da Comgás. As consequências foram devastadoras, com casas destruídas e famílias desabrigadas. Entre as vítimas estavam Alex Sandro Fernandes Nunes, um vigilante noturno que estava em casa no momento do acidente, e Francisco Altino, que faleceu três dias depois, após estar internado.
Moradores da região, que ainda se recuperam do trauma, expressaram sua frustração com a lentidão das respostas sobre o futuro de suas residências. Muitos, como Nelson da Silva Farias, têm a esperança de que suas casas sejam reconstruídas, em vez de apenas receber compensações financeiras. Elizabete Luiza da Silva, que precisou se mudar com sua família para um aluguel temporário, também clama por uma solução mais efetiva.
A situação após a explosão gerou uma série de investigações por parte da Polícia Civil e outras entidades, visando esclarecer as responsabilidades e garantir que os moradores afetados recebam a assistência necessária. A CDHU continua a trabalhar para facilitar o acesso das famílias aos serviços habitacionais e ao processo de ressarcimento.
Enquanto as demolições avançam, a comunidade aguarda com esperança a promessa de um novo começo, que, embora demorado, representa um passo importante na recuperação de suas vidas.
Crédito da imagem: Explosão no Jaguaré


