terça-feira, 20/10/2026

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Aumenta o número de mortes no trânsito em SP, com motociclistas representando quase 50% das vítimas

O trânsito em São Paulo vive um momento alarmante, com o número de mortes subindo novamente em 2026. Entre janeiro e setembro, 782 vidas foram perdidas em acidentes, uma leve alta em relação aos…

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O trânsito em São Paulo vive um momento alarmante, com o número de mortes subindo novamente em 2026. Entre janeiro e setembro, 782 vidas foram perdidas em acidentes, uma leve alta em relação aos 770 registros do mesmo período do ano anterior. A situação é especialmente crítica para os motociclistas, que representam quase metade das vítimas fatais, com mais de 370 óbitos registrados.

Diante desse cenário, a situação dos motociclistas se torna cada vez mais preocupante, já que desde 2017, os casos de mortes envolvendo esse grupo cresceram impressionantes 74%. A Faixa Azul, uma iniciativa criada em 2022 para proporcionar mais segurança aos motociclistas, parece não ter sido suficiente para reverter essa tendência. Especialistas em mobilidade urbana alertam que a crescente frota de motocicletas, que já ultrapassa 1,17 milhão, não é o único fator que contribui para esse aumento. O comportamento imprudente dos condutores e a falta de fiscalização eficaz também desempenham um papel crucial.

A especialista Ana Carolina Nunes destaca a vulnerabilidade dos motociclistas, que não possuem a proteção de uma estrutura metálica ao seu redor. Além disso, a velocidade excessiva é um fator que agrava ainda mais a situação. “Essa combinação de alta velocidade e falta de proteção torna os motociclistas mais suscetíveis a acidentes”, afirma Nunes.

Além das infrações cometidas, como avançar sinais vermelhos e usar corredores de ônibus de forma inadequada, a fiscalização efetiva é uma demanda urgente. Segundo Nunes, as iniciativas de infraestrutura, como a Faixa Azul, precisam ser acompanhadas por uma fiscalização rigorosa, caso contrário, seus efeitos são nulos. “A fiscalização é essencial para garantir que as regras sejam seguidas”, reforça.

Marcus Quintella, diretor da FGV Transportes, também critica a impunidade que permeia as infrações de trânsito. Ele defende a importância de radares que consigam monitorar motocicletas e ressalta que a falta de punição contribui para um ciclo de imprudência no trânsito. Curiosamente, apesar de São Paulo contar com mais ruas que o Rio de Janeiro, a capital paulista tem um número inferior de radares de fiscalização.

A Prefeitura de São Paulo se posiciona dizendo que está comprometida com a segurança no trânsito, através de campanhas de conscientização e avaliação contínua da instalação de novos radares. A administração municipal também afirma que a Faixa Azul trouxe uma redução de 26% na gravidade dos acidentes com motocicletas.

O aumento nas mortes de motociclistas é um alerta que não pode ser ignorado. A combinação de imprudência, falta de fiscalização e a crescente frota de veículos exige uma resposta rápida e eficaz das autoridades para garantir a segurança de todos nas ruas de São Paulo.

Crédito da imagem: Mortes de motociclistas disparam 74% na capital em 10 anos