segunda-feira, 19/10/2026

22° Guarulhos Poucas nuvens · máx 23° mín 14°

Ex-secretário de Nunes é associado a empresa que recebeu R$ 101 milhões da Prefeitura de SP; TCM aponta possíveis irregularidades

Uma investigação conduzida pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) de São Paulo revelou sérias irregularidades envolvendo a agência MM Quarter, que tem como sócio oculto o ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho. O caso…

Compartilhe:

Uma investigação conduzida pelo Tribunal de Contas do Município (TCM) de São Paulo revelou sérias irregularidades envolvendo a agência MM Quarter, que tem como sócio oculto o ex-secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho. O caso começou a ganhar notoriedade após reportagens do portal Metrópoles, que apontaram relações entre Marinho e a proprietária da MM Quarter, levando à abertura de um processo de auditoria.

Os auditores do TCM identificaram um total de R$ 101,4 milhões em repasses à empresa entre 2022 e março de 2026, com a São Paulo Turismo (SPTuris) arcando com a maior parte desse montante. A MM Quarter foi responsável por diversos serviços, incluindo a contratação de guias turísticos bilíngues para o Carnaval de rua, mas os valores pagos permaneciam obscuros devido à falta de transparência nos contratos.

A situação se tornou ainda mais crítica após a Controladoria Geral do Município (CGM) descobrir uma procuração que permitia a Marinho uma gestão ampla da MM Quarter, resultando na sua exoneração em fevereiro deste ano, juntamente com a demissão do presidente da SPTuris. Essa ligação entre Marinho e a empresa é um dos pontos centrais da investigação, que também foi alimentada por denúncias de deputados e vereadores do PSOL.

O relatório do TCM, finalizado em setembro, não apenas corroborou as denúncias de favorecimento em licitações, mas também destacou a falta de fiscalização adequada sobre os contratos com a MM Quarter. Em um dos casos, a empresa foi favorecida em um pregão, enquanto concorrentes com propostas mais vantajosas foram desclassificados por motivos formais.

A auditoria também levantou questões sobre o fornecimento de água mineral em eventos, onde houve superfaturamento significativo nos preços e contratações que extrapolaram limites legais. Os auditores encontraram discrepâncias alarmantes, como o aumento do preço de caixas de água que quase dobrou em um período curto, resultando em prejuízos estimados de R$ 25 milhões para os cofres públicos.

A MM Quarter, por sua vez, defende que suas contratações seguiram todas as exigências legais e que está colaborando com a fiscalização. Rodolfo Marinho, ainda sem notificações formais, se diz disposto a esclarecer sua posição assim que for chamado. Enquanto isso, a prefeitura afirma que não possui mais contratos com a empresa e que uma nova contratação para os serviços de turismo já está em andamento.

O desdobramento desse caso ainda está em andamento e pode levar a encaminhamentos ao Ministério Público e outras instâncias de controle, dependendo das conclusões finais do TCM. A população, que observa atentamente a situação, espera que a transparência e a legalidade prevaleçam nas relações entre o poder público e as empresas contratadas.