A Operação Ifrit, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (4), está gerando um verdadeiro alvoroço em Mato Grosso do Sul. O foco da ação é uma organização criminosa que tem conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Primeiro Grupo Catarinense (PGC), investigada por sua atuação no tráfico internacional de drogas e armas, além de ter uma rede de apoio dentro das forças de segurança do estado.
Entre os bens confiscados, há um haras de luxo, seis fazendas que somam mais de 5 mil hectares, mansões, carros de alto valor, lanchas e até cavalos de raça. O total do patrimônio apreendido é superior a R$ 500 milhões, com a Justiça bloqueando também até R$ 300 milhões em contas de 170 pessoas e empresas ligadas às investigações.
O superintendente da Polícia Federal em MS, Carlos Henrique Cotta Dangelo, revelou que a família no centro da investigação é suspeita de operar no tráfico de drogas há mais de dez anos, especialmente na região de fronteira com o Paraguai e a Bolívia. A organização é acusada de trazer entorpecentes e armas de países vizinhos e distribuí-los em grandes centros urbanos brasileiros e até na Europa, com destaque para a Espanha e Portugal.
O superintendente foi enfático ao afirmar que a organização tinha acesso a drogas apreendidas pela polícia, o que a tornava ainda mais audaciosa. Policiais civis e militares, assim como um policial rodoviário federal, estariam envolvidos em fornecer informações valiosas e facilitar o acesso a esses materiais ilícitos. “Infelizmente, eles usavam a estrutura pública para beneficiar suas atividades criminosas”, lamentou Dangelo.
A violência também faz parte desse cenário alarmante. A organização é investigada por uma série de crimes graves, como sequestros e homicídios, e utilizava armamentos pesados para intimidar rivais e controlar territórios. A PF já registrou várias apreensões de armamentos durante a operação, embora ainda não tenham encontrado um ponto de venda de drogas.
A Operação Ifrit, que conta com apoio da Receita Federal, está em andamento em várias regiões, incluindo Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A Justiça autorizou um total de 76 mandados de busca e apreensão, 25 prisões preventivas e uma prisão temporária, além de outras medidas cautelares, como afastamentos de policiais civis.
Entre os alvos da operação, destacam-se o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, acusado de desviar cerca de duas toneladas de cocaína que estavam sob sua responsabilidade, e o policial civil Douglas Tobias, que já havia sido preso em uma operação anterior. As investigações continuam abertas, e os envolvidos poderão responder por diversos crimes, incluindo organização criminosa e tráfico de drogas.
Esse desdobramento reforça a complexa relação entre crime, corrupção e segurança pública em Mato Grosso do Sul, alertando a sociedade sobre a necessidade de um combate mais eficaz à criminalidade na região. A população aguarda ansiosa por mais informações enquanto a PF segue com suas investigações.


